sexta-feira, 3 de junho de 2016

Sobre o nome deste blog

Tenho estado muito envolvida com essa coisa de blog ultimamente. Sempre gostei disso e fui uma das primeiras pessoas do meu grupinho de amigos a ter um blog, lá em 2001/2002 (se não me falha a memória), quando a gente ainda tinha que ficar lendo um pouco de códigos pra mudar uma simples cor do plano de fundo ou a fonte usada no texto.

Pois bem, passaram-se os anos, o tempo livre ficou cada vez mais escasso, as cobranças por melhorar como profissional cresceram: MBA, curso de inglês, outro MBA, espanhol, mestrado, francês, uns outros cursos aí meio aleatórios mas que a gente sempre acha que vai servir pra alguma coisa... Ufa! E aí quando a gente finalmente acha que vai ficar tranquilo, favorável, que agora vai ter tempo pra sair, pra ver os amigos, pra viajar e tal, vem a crise e te deixa desempregada. Mas sobre isso eu vou falar outra hora.

Esse texto é pra falar do nome desse blog. Sempre que escrevo algo (desde um bilhetinho no whatsapp ou até a minha dissertação de mestrado) escuto das pessoas: “nossa, como você escreve bem!”, “você devia fazer mais isso”, “sua redação é leve, a gente nem nota que tá lendo”. Mas a grande verdade é que eu tenho uma baita de uma insegurança. Um medo terrível de postar e ser criticada (eu sei, acontece com todo mundo). E rola um certo desconforto em ficar publicando minha vida assim, na internet, pra qualquer um ver.

Mas aí, desempregada e fazendo um curso online sobre WordPress (“Caraca, Lorenna! Você não para nunca?” “Não, por mais que as circunstâncias tentem me forçar, eu não paro, não!”) comecei a mexer nos blogs antigos. Eu tinha/tenho esse blog aqui, mas notei que o último post foi em 2014 – e isso foi porque eu já tinha ficado um longo período sem publicar nada. Aí pensei “ótimo! Vou reativar esse blog! Mas e esse nome?”.

Quem não pode se sacode... Lembro que tinha uma época que eu falava isso toda hora. E lembro também, que coloquei esse nome no blog numa época em que eu era estagiária de Comunicação em uma empresa de petróleo. Havia tido dois blogs antes, mas que tinham saído do ar por falta de manutenção e atualização – antigamente tinha isso.

Na época, escolhi esse nome porque eu queria ser jornalista “de verdade”. Escrever, fazer notícia, criticar peça de teatro, escrever as coisas do jeito que eu achava que tinham que ser. E era estagiária de Comunicação em uma empresa que tinha um contato super passivo com a mídia. Eu escrevia, sei lá, no máximo uns três releases por ano e, mesmo assim, sobre petróleo, negócios, venda etc. Chato.

Aí criei o blog, mas não tinha quase tempo. Óbvio. Agora eu tenho. E acho que esse nome não tem nada a ver. Pensando nessa coisa de desemprego, currículo etc, fiquei pensando em fazer algo super mirabolante pra chamar a atenção dos recrutadores e tal, totalmente fora da caixinha, um blog maluco e criativo pra mostrar a eles “olha só como eu sou legal, criativa e diferentona!” (tá na moda ser diferentona!) mas aí vem toda aquela questão de publicar na internet, compartilhar minha vida na rede etc. Pensei em colocar um nome bem prático, tipo “Lorenna Marketing” ou “Lorenna Comunicação”, que ajude o SEO na busca orgânica do Google. Aí veio o alerta: nossa! Que diferente! #sqn.

E aí comecei a juntar as peças, pensar na minha trajetória não só profissional, mas pessoal também. E comecei a ver que esse nome, apesar de ser um ditado popular português, tem tudo a ver com a minha vida. Desde criancinha.

Primeiro porque eu sempre gostei de tudo-ao-mesmo-tempo-agora e queria de tudo um pouco. Sempre gostei muito de dançar e sempre ouvi dos meus pais: “Dança é só até você entrar na faculdade. Depois, se vira”. Fui mexendo meus pauzinhos para conseguir um jeitinho de continuar a dançar mesmo depois da faculdade – e aí comecei a dar aulas de dança, assim podia continuar dançando de graça e ainda ganhava uns trocados.

Outro exemplo foi quando eu consegui meu primeiro estágio. Bom, quem me conhece sabe que eu estudei Jornalismo porque queria trabalhar com Jornalismo Cultural e ligar, de alguma maneira, a minha profissão com a arte. Chegou o temido 5º período e nada de estágio. Como tudo na minha vida, quando consigo alguma coisa, tudo sempre vem no plural. E aí a geminiana aqui tem que decidir. Não consegui um estágio, mas três. Na mesma semana. Um era pra trabalhar na editoria cultural de um jornal aqui de Niterói. O outro era pra trabalhar na Secretaria de Cultura daqui de Niterói. O outro era pra trabalhar na área de Comunicação de uma empresa de petróleo lá na Barra. Adivinha qual eu escolhi? Com Barra sendo logo ali... Não é óbvio?

E com o estágio na Barra, vieram muitos “sacodes” na minha vida. Eu não tinha carro e não era fácil ir de ônibus para a Barra. Não fiquei seis meses no estágio. O estágio virou emprego e eu fiquei nessa rotina durante cinco anos e meio da minha vida. Não tinha carro (sim, tô repetindo pra enfatizar). Se eu pudesse, teria ficado na secretaria de cultura de Niterói. Mas eu tinha que me sacudir. A bolsa-auxílio da Barra era melhor. Tinha vale-transporte e ticket de refeição! Veja só: filha única, né?

Ônibus (eram quatro na ida e três na volta). Chuva. Engarrafamento. Acidente. Ônibus quebrado dentro do túnel na linha amarela. Duas vezes. Natal. Cesta de Natal (daquelas bem pesadas). Ônibus. Aula de dança depois do trabalho. Mochila pesada com as roupas para a aula de dança depois do trabalho. Ônibus. Cheio. Cheio não. Lotado.

Mas na minha vida nunca deu muito tempo pra reclamar, não. Sempre, foi tudo muito na correria. “Corre, Lorenna. A van da escola chegou!”. “Mas não terminei de almoç...” “Engole!!!”. “Hoje eu tenho bal...” “Tá aqui a bolsa! Anda!”.

Aí eu sofri um sequestro relâmpago em Niterói numa noite/madrugada de terça-feira e cheguei umas 4h da manhã em casa. Tinha estágio no dia seguinte e é óbvio que eu fui. Na Barra, lembra? Afinal, era estágio. Ia dar mole?

Essa coisa do “se sacode” me remete a agito, a não parar, a não desanimar com os obstáculos que a vida impõe. Queria dançar? Vou virar professora pra dançar de graça. Não amava o estágio? Paciência, era o que tinha. Tinha ensaio com cajón e bata-de-cola lá na Tijuca no fim de semana? Vamos de ônibus mesmo (frescão, daqueles que o banco inclina pra trás. Aí a pessoa da frente SEMPRE deitava o banco todo. E você com um cajón no colo. Visualiza a falta de ar).

Às vezes vem alguém e fala “Nossa! Mas como você aguenta? Eu consegui um emprego na Barra, mas saí antes do período de experiência porque não aguentei”. “Ah, estou de saco cheio do meu trabalho, vontade de jogar tudo pro alto e fazer as coisas que eu gosto”. “Ah, preciso dormir oito horas por noite, não dá pra acordar às 5h, como você”.

Desculpa, mas eu tenho preguiça para comentários como esse. Não me ajudam e não me motivam em nada. Não acho que a minha vida seja exemplo pra ninguém. Como eu, tem milhares de pessoas no mundo que acordam às 5h da manhã pra trabalhar. Tem mais um monte de pessoas no mundo que acordam antes disso para engolir um monte de sapos no trabalho. Não é legal sempre. Mas ficar à toa, como estou agora, é muito pior. Garanto. Continuo sem ver meus amigos, continuo sem ir à praia (me dá peso na consciência) e continuo sem aproveitar meu tempo livre. Tem gente que diz que sou workaholic. Talvez seja mesmo. E talvez esteja sofrendo uma crise de abstinência enorme. Mas como disse no início desse texto: esse assunto é para outro post.

Enquanto isso vou continuar tentando me sacudir o máximo que puder. Não porque eu não possa. Acho que consegui conquistar alguns “quem pode, pode” na minha vida. Mas porque prefiro desse jeito: agito, correria, cinco horas de sono por noite. Talvez mude o nome do blog para “Quem pode, pode. Mas é sempre melhor sacudir!” ;)

quinta-feira, 27 de novembro de 2014

Já tá na hora de ser feliz?

(Texto recuperado de uns emails antigos e perdidos...)

Esse fim de semana fui à Lapa.

Não que isso seja algo incrivelmente extraordinário, afinal de contas eu já fui à Lapa um milhão de vezes e há muitos outros lugares no Rio de Janeiro que me agradam muito mais. Nunca fui uma super fã do bairro boêmio. Não é o meu estilo mesmo.

Mas neste sábado eu estava estressada. Queria sair porque tenho duas semanas de férias no mestrado e me sinto na obrigação de sair de casa e de curtir cada segundo dessas micro-férias. E ao mesmo tempo em que estava muito feliz por estar em uma festa sem a preocupação de ter que acordar cedo no domingo para estudar, estava estressada. E não consegui curtir direito a noite.

Primeiro era a minha roupa: não era a que eu queria usar. Segundo, a maquiagem: exagerada. Terceiro, a companhia: agradável, mas não eram os meus amigos. Eram os amigos dos amigos. Quarto: show do Supla (???) - dispensa comentários. E mais uma série de fatores que não estavam me fazendo feliz naquele dia.

Não sei direito, mas não consegui relaxar em nada. Até que lá pelas 3 horas da manhã, resolvi desistir e sentar pra ver um casal que estava dançando forró na minha frente. E aí a noite começou.

Passou um filme na minha cabeça e os meus neurônios começaram a pensar com uma velocidade tal, que eu não podia controlar.

Aquele forró... Aquela música... Aquele lugar...

Me lembrei da época da faculdade (aliás, ultimamente eu tenho lembrado demais da época da faculdade) e que eu dançava forró quase todo fim de semana. Aliás... todo fim de semana não, porque eu não tinha tempo pra ser feliz.

Eu sempre fui uma pessoa com tantos compromissos (de dança, de trabalho, de ensaios, de amigos, de teatro, de inglês, de cursos, de estudo etc) que não dava tempo pra ser feliz. Não que eu fosse uma pessoa infeliz porque todas essas coisas me deixavam feliz. Mas é que eu deixava a felicidade pra depois.

Não podia ir no forró daquele fim de semana, mas vão ter tantas oportunidades ainda. Depois eu vou.

Também não podia viajar com os amigos da faculdade porque eu tinha os meus ensaios de dança. Mas depois isso ia passar e eu ia poder fazer quantas viagens eu quisesse.

Também não dava pra curtir todas as festas porque eu estava muito envolvida com a busca pelo estágio.

Quando eu achar um estágio... Quando eu terminar a monografia.... Bom, deixa eu ver se eu vou ser contratada depois do estágio. Mas tá na hora de fazer um MBA. Depois do MBA eu faço aquela viagem. Ai, hoje eu não posso sair, mas quando eu achar o meu emprego novo, vou ter mais tempo para pensar nisso... Não estou com cabeça, porque amanhã é segunda-feira e eu não estou feliz no trabalho. Deixa eu trocar de emprego de novo e aí terei tempo para sair com todo mundo!!!! É... o emprego novo não é bacana... mas estou estudando pra prova do mestrado e, com certeza, depois disso vou conseguir sair com você. O emprego novo é ótimo!! Estou super feliz, mas só posso sair sábado e, mesmo assim, muito rápido porque agora eu tô fazendo o tal mestrado né...

Dez anos.

Dez anos de desculpas, de "deixa pra depois", de "amanhã eu vou". De auto-enganações. Auto-sabotagens.

Por que eu só posso ser feliz depois??? Por que eu não podia ser feliz mesmo quando estava infeliz no trabalho? Por que eu não posso sair, mesmo fazendo mestrado??? Por que eu só poderia curtir aquela festa se eu estivesse com a roupa certa, maquiagem certa etc etc???

Naqueles minutos no meio da noite, me dei conta de que estou sempre adiando a minha felicidade. E percebi que passei 10 anos da minha vida dando desculpas para mim mesma. Fiz as contas, e vi que tem amigos que eu não vejo há mais de 2 anos. Até mais, se bobear.

Fiquei hipnotizada com o casal dançando forró e que me trouxe todas aquelas recordações. Dos forrós da faculdade, da leveza de quando eu não tinha preocupações.... E fiquei ali... Até que um cara me tirou pra dançar e eu disse "estou enferrujada!!!!".

Mas percebi que ainda sei dançar forró!!! (e bem, modéstia à parte). E também percebi que posso ser feliz, mesmo sem a roupa certa, sem a maquiagem certa e com mais um montão de coisas erradas!! Mesmo que só por um forró!

:)

P.S.: não, eu não estou triste. Posso dizer que o balanço de tudo é bem positivo. Mas todo mundo tem os seus momentos de baixo astral. E como eu sempre fui uma pessoa bem dramática.... Né?

domingo, 23 de novembro de 2014

Na praia...

- já vai?
- tem q trabalhar né... Infelizmente.
- ah, eu tive una gravidez ótima.
- sanduíche natural, mate!!
- quando eu saí do banho e me olhei no espelho...
- ah é?
- tem q passar hidratante né?
- aperta meu biquíni por favor?
- vou tomar um pouquinho dessa água aqui.
- 41 semanas e meia! Fazendo tudo em casa: varrendo, lavando...
- moço, me vê um mate por favor?
- com limão ou sem limão?
- fiquei o dia todo na praia sem protetor solar
- mô, vou na água, tá?
- antes de passar protetor?
- amigo, vai querer então?
- tava quente no cinema.
- sanduíche!!!
- tem né? Só que o Barra Shopping é enorme!
- não, eu adoro o Rio Sul, cara!
- papaiêêêê!!!
- falo pro Gabriel que ele não faz nada! O moleque sai de carro e não pode pegar a bolsa que tá do lado dele?
- carambaaaa!!!! Joga pra mamãe de novo!
- mate!!!
- alô sanduíche, alô mate!
- eu tive crise de riso
- pô cara, vai devagar aí!
- só tem você aí?
- ih, essa praia vai lotar hoje!
- você viu que vai ter um negócio ali?
- acho que é campeonato
- acho que é show
- vai lotar hoje
- vambora?
- vim pegar o meu chorinho
- ah é, sem chorinho não tem graça
- brigada!
- valeu, boa praia
- a onda ta lá longe, tá vendo? Não vai chegar aqui
- deixa a bolinha e a pá lá, filho!! Guarda lá!
- vai correr?
- nao, vou dar uma caminhada
- olha aqui minha sandália, que bonita
- ela é bonita, melhor que havaianas
- vou dar uma caminhada
- então tá
- alô natural mate gelado
- paaaaaiii! Vamo na água! Vamo pai!
- eeeeeeeee! Que belezaaaa!
- vem! Rápido!
- agora só tem criança. 1h da tarde chegam os de ressaca
- cuidado com o jacaré que tá aí dentro
- vou tirar a areia
- o celular não tá pegando. Beijo, tchau!
- hoje, nessa idade, eu não enxergo de perto nem de longe
- é, eu tenho miopia
- se eu saio sem óculos, não vejo ninguém
- não tinha esse! Tinha aquele ice
- aqui na praia..... Ia ser tão maneiro
- eu tenho uma indicação
- mudei de canal, tava me dando até dor
- tudo faz mal
- noooossa!
- vou ficar ali na beirinha
- só na beirinha tá?
- ó, agora bota água aqui dentro
- betacaroteno aí, ó! É o suco saúde! Tem suco que baixa até pressão alta! O beta hoje tá escasso! Tem vitamina A, vitamina B, vitamina C. É a nossa saúde!
- aqui tá bom, mãe!
- picolé!!!

Muita saudade de praia, de relax e das conversas pela metade e sem sentido que a gente ouve por aí.... Ah, o verão! :)



sexta-feira, 20 de setembro de 2013

Escolhas

Acabei de voltar do almoço com uma amiga. O tema durante quase todo o tempo foi a nossa vida profissional: objetivos, sonhos, escolhas e consequências.

Acho interessante como a vida é mesmo uma caixinha de surpresas (como já dizia Joseph Climber) e como as nossas escolhas fazem com que o nossos caminhos sejam completamente diferentes do objetivo inicial. Aquele objetivo que fez com que a gente marcasse um “X” em determinado curso na hora de fazer a inscrição para o vestibular.

Embora a minha paixão sempre tenha sido a dança, eu sempre tive muito claro na minha cabeça que não iria fazer faculdade disso. Não só pelo fato de ser filha única e de ter que arrumar um trabalho com o qual eu realmente conseguisse me sustentar sozinha, mas porque eu gostava de muita coisa e era difícil escolher. Sabia que, na dança, além da dedicação necessária a qualquer carreira, precisa-se de sorte. Muita. Ainda mais na modalidade de dança que eu escolhi para mim.

Outra coisa muito clara na minha cabeça era que o meu trabalho tinha que ter a ver com arte. Já falei nesse post sobre a importância que a arte tem pra mim. E tinha que ter as duas coisas ligadas. Por isso é que, entre fazer dança, jornalismo, geologia, engenharia civil e direito (sim! Eu já pensei em fazer todos esses cursos aí), eu escolhi Jornalismo. Porque queria ser crítica cultural. Esse era o meu maior objetivo no dia em que entrei na faculdade. E sabia que faria mestrado em Belas Artes depois!

A faculdade é um lugar cheio de sonhos, cheio de carreiras e, obviamente, cheio de escolhas a serem feitas. Dentro do curso de Comunicação, há muitas “faculdades” a serem cursadas. Tudo depende dos professores, das matérias eletivas, do grupo com quem você anda etc. Além da crítica de cultura, eu tive a fase de querer ser fotógrafa de guerra (a parte da guerra foi fácil de desistir, mas a parte da fotografia anda comigo até hoje), de trabalhar em redação de jornal impresso, de ser repórter de TV, de trabalhar em assessoria de imprensa... A única coisa, dentro do que a Comunicação me oferecia que eu sabia que não queria para mim era Marketing.  

No segundo período, tive um professor incrível de Cultura Contemporânea. Decidi que a minha monografia seria feita com ele, embora ele sempre dissesse que não dava 10 para ninguém (fiquei com 8,5 no trabalho final, mas com uma sensação maravilhosa de ter escrito o conteúdo da minha vida!). No quarto período, tive outro professor incrível, que me mostrou que eu sabia escrever bem! Logo nos primeiros trabalhos que entreguei a ele, fui convidada a escrever no Jornal da faculdade. Tive medo da exposição, das críticas, do que ouviria dos meus colegas de turma, mas encarei – afinal de contas, um jornalista tem que saber se expor. Acho que escrevi cerca de seis ou sete matérias entre coberturas, crônicas, críticas, colunas e uma matéria sobre assessoria de imprensa que me colocou cara a cara com grandes repórteres e assessores da época.

Como eu era boba e imatura! Estava ali! De frente com os profissionais que eu gostaria de ser no futuro e não tirei proveito disso. Ouvi de um deles que, já na faculdade, eu escrevia melhor do que muitos “coleguinhas” (como os jornalistas são carinhosamente chamados um pelos outros) e me limitei a responder “obrigada”. Até hoje não entendo o porquê de não ter aproveitado as oportunidades!

Quando já estava pelo quinto período, comecei a me desesperar com o estágio. Precisava de um, ou não teria emprego depois de formada e teria que ser, para sempre, somente professora de dança (não que isso fosse um sacrifício. E não fosse verdade – eu é que sempre gostei de um pouco de drama). Só que como tudo na minha vida, eu não consegui um estágio. Eu consegui três! Na mesma semana! E aí tive que fazer uma escolha. Aparentemente simples de ser feita, mas que mudou, por completo, o rumo que a minha carreira iria tomar.

As opções eram:
- Redação em um impresso: era o salário mais baixo de todos, mas era o que mais me atraía pelo trabalho;
- Secretaria de Cultura: era o salário médio e não preciso nem dizer o motivo da minha vontade em trabalhar lá;
- Área de Comunicação em uma empresa de óleo & gás: melhor salário, além de todos os benefícios de se trabalhar em empresa, como vale transporte, vale refeição etc. Para um estudante de jornalismo, essa opção caída muito bem. Foi, enfim, a opção escolhida! (Um detalhe: moro em Niterói, a empresa era na Barra e eu não tinha carro).

No entanto, eu nunca imaginei que ficaria ali por cinco anos. E também nunca imaginei que, das as atividades de um jornalista em uma empresa (site, relacionamento com imprensa, redação de textos institucionais, promocionais etc) eu, em três anos, estaria cuidando da área de... Marketing! Justamente o que, dentro da Comunicação, era a única atividade que eu não gostava! E não gostava mesmo. O começo foi muito difícil aceitar que eu não era mais jornalista e que eu não trabalharia em redação de jornal. A menos que eu aceitasse começar tudo do zero novamente.

E sabe o que aconteceu? Me apaixonei por Marketing e, de quebra, pelo mercado de petróleo. No lugar do mestrado em Belas Artes, o que fiz foi um MBA em Marketing, depois outro em Marketing Digital, e li livros e mais livros sobre isso. Philip Kotler e suas teorias passaram a ser o meus melhores amigos desde então!

Hoje, encontro amigos da faculdade que trabalham em redes de TV, em jornais impressos, em rádio, em assessorias de imprensa. Tenho aqueles amigos que são fotógrafos, artistas, professores, que publicam artigos e que compartilham seus conhecimentos com outros estudantes. E eu, apesar de jornalista com muito orgulho, fui mordida definitivamente pelo mosquitinho do Marketing.

Nunca imaginaria que trabalharia com isso e que seria tão apaixonada pelo meu trabalho.

Fico triste, às vezes, por não ter seguido o meu objetivo inicial de ser crítica cultural ou por não ter sido repórter de jornal. Mas para isso, tenho o meu blog! (Na verdade, foi para isso que ele foi criado, embora esteja aqui escondido atrás de um login e senha só para mim).


E fico pensando em como a vida é louca e como uma escolha, aparentemente simples e boba, pode mudar completamente o rumo das coisas. Onde será que eu estaria agora se tivesse escolhido a redação de jornal ou a secretaria de cultura?

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

Takadime. Tá?

Dê uma batida em qualquer superfície: você terá apenas um barulho. Dê uma segunda batida, uma terceira e você já tem um ritmo” (Mickey Hart)

O Largo do Machado me trás boas recordações. São lembranças de um tempo de dança, arte, cultura, amigos, ensaios, calma, tranquilidade e extrema felicidade.

Frequentei muito Largo do Machado e Laranjeiras em 2005 e 2006, quando ainda estava estudando Jornalismo e dançava no Grupo Raga. Os ensaios para o espetáculo Takadime eram sempre depois das aulas da faculdade. Era engraçado, porque naquele tempo não sentia fome. Saía correndo das aulas, comia um croissant integral e um guaravita e tinha poucos minutos para pegar o ônibus até a Casa Azul, onde eram os ensaios. O trabalho à tarde era forte, era suado, cansativo... Mas muito recompensador. Na saída: mais um croissant e ônibus lotado. Ainda chegava a Niterói e ia direto para as aulas de dança de salão. Definitivamente, eu não sentia fome.

Acho que era porque eu me alimentava demais do que mais me faz feliz: ARTE!

Bons tempos, que não voltam mais.

O meu tempo no Raga foi um período muito intenso e muito importante de descobertas. Descobri, além de pessoas incríveis, a minha criatividade, as minhas necessidades, as minhas vontades, os meus objetivos. Descobri que tinha um estilo próprio de dançar. Descobri que tinha o meu jeito de fazer coreografias (que, infelizmente, se perdeu entre 2006 e 2007... mas já está tratando de se achar). E que fazer coreografias com outras pessoas é mais legal ainda. Foi a primeira vez em que me senti realmente profissional de dança (embora já o fosse no papel há alguns anos). Eu tinha um prazer enorme de dizer “estarei em cartaz no Cacilda Becker de quinta a domingo!” – isso fazia com que eu me sentisse especial. O teatro não lotava todo dia, mas eu dançava como se tivesse um público digno de Rock in Rio. Entregava-me por inteiro, de corpo e alma (e haja corpo... E também haja alma).

Mas a vida acaba te levando para outros caminhos: não que eles também não sejam bons e não que não sejam igualmente importantes e necessários. Mas não são os mesmos.

Tive que amadurecer, começar a estagiar, trabalhar, me formar, estudar mais, me formar de novo, trabalhar mais, trabalhar longe, pegar ônibus. Cheio. Estudar um pouquinho mais pra alcançar um outro objetivo, que me obrigava a estudar mais... E me formar de novo... E trabalhar mais... E dançar menos, cada vez menos, e comer menos arte, e ir menos ao teatro, porque sábado de manhã eu tinha aula (e não era de dança, nem de teatro, nem de arte). E falar duas línguas, três línguas, quatro línguas, que me obriga a estudar mais um pouquinho e ler livros (não sobre dança) e ver filmes (nem sempre sobre arte, embora filme seja arte também). E sobra menos tempo para os amigos, para a família, para o cachorro (por que não?), para prazeres. Para a arte.

Hoje trabalho perto do Largo do Machado. E, coincidentemente, ando repensando a arte na minha vida. Não gosto de ter que ir ao Largo do Machado. Porque me faz ter lembranças que não sei se quero ter. Embora goste de me lembrar delas... E goste de almoçar nos restaurantes do Largo.

Sou muito contraditória e isso não é novidade para ninguém.

Sinto saudades de não ter pressa naquela época. Sinto saudades das pessoas que conheci, das danças que conheci, do aprendizado, dos ensaios mentais enquanto estava em pé voltando para casa dentro de um 996 lotado. Sinto falta da paz que eu sentia. Eu fazia tanta coisa ao mesmo tempo naquela época! E sempre dava pra encaixar mais uma coisinha. Mais uma aulinha. Mais um ensaiozinho. Mesmo que eu tivesse festa na sexta, ensaios e aulas no sábado e tivesse só o domingo para fazer a monografia da faculdade. Sempre dava tempo. Incrivelmente, dava tempo.

O fato é que se a gente não tomar cuidado, a vida rouba o nosso tempo, envelhece a gente, dá cabelos brancos e rugas, dor nos joelhos, tornozelos e coluna... E só uma coisa pode retardar o meu envelhecimento: arte.  Manifestada de qualquer maneira, mas preferencialmente através da dança, óbvio.
Eu sei que isso é o óbvio do óbvio pra mim. E quem me conhece também sabe disso. Mas às vezes eu acho que preciso me lembrar de vez em quando. A vida é tão corrida e tão atribulada, que, de vez em quando, eu esqueço quem eu sou e o que me faz feliz.


Sorte (?) a minha, que trabalho perto do Largo do Machado e tenho as ruas de Laranjeiras bem pertinho para não me deixar esquecer.



quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Atrás do ônibus lotado

Ok. Resolvi que vou tentar de novo...

Não sei se ainda sei fazer isso e confesso que essa página em branco do Word me amedronta de uma certa forma e me faz querer desistir. Mas, ao mesmo tempo, ela me encoraja a tentar redescobrir a pessoa que ficou perdida no passado. Que ria dos ônibus lotados, que não se importava em errar os caminhos, que apesar de ficar estressada com um temporal no meio do dia, no fim das contas, achava graça. Levava a vida com um pouco mais de leveza. E acho que ela até conseguia tirar mais proveito do tempo. Bom, pelo menos, conseguia transformar essas situações em textos engraçados, que ainda me arrancam algumas risadas e boas lembranças. E, com certeza, aproveitava melhor o tempo, nunca perdidos, dos engarrafamentos.

Na verdade, não sei mais as regras da gramática tão de cor como sabia há uns seis anos atrás. E acabo tendo que recorrer ao Mestre Google para ter certeza da regrinha dos porquês. Eu conjugava verbos complicados com uma tranquilidade absoluta. Hoje, não mais. Enferrujei. Empoeirei. Criei teia de aranha. E mofei. Aliás, esse verbo tem sido muito comum no meu vocabulário dos últimos três anos, mas deixa esse assunto pra outro post porque agora... Eu me reempolguei!

Tirei o blog do ar há um tempinho por pura insegurança. Quando a gente procura emprego, a primeira coisa que faz é jogar o próprio nome do Google (bom, eu, pelo menos, faço isso direto). E toda a vez que jogava o meu nome no buscador, o resultado era:

- este blog;
- meus textos do jornal da faculdade que insistem em estar online no arquivo do site da faculdade;
- minha página do Fotolog (Essas coisas é que matam. Nem lembrava mais qual era o meu login do Fotolog e demorei umas três semanas para conseguir deletar a página porque o email cadastrado também não existia mais. Foi muito difícil provar que eu era eu e que eu queria excluir aquela página);
- o meu blog de dança;
- muitas e muitas fotos de dança;
- muitos e muitos vídeos de dança.

Conclusão: não vai dar para esconder que eu danço, nem que eu escrevia textos no jornal da faculdade (muito embora os textos que eu escrevia naquela época eram bem melhores do que os que eu escrevo hoje). A única coisa que dava para esconder eram as minhas reflexões e opiniões inúteis postadas no meu blog. E eu achava (e ainda acho) que isso podia afetar negativamente a impressão das pessoas sobre a minha vida profissional. Daí eu resolvi que ia deletar.

Não tive coragem.

Então eu resolvi que ia criar um login para que só eu acessasse. E, claro, também não queria perder o domínio do “Quem não pode se sacode”.

Só que eu não imaginei que deletando o blog. Ou melhor: escondendo o blog, eu estaria escondendo, também, um lado muito importante de mim. E perdendo um dos meus principais espaços de criatividade e, por que não, de autenticidade.

Não escrevo mais com tanta facilidade. Não sei mais as regras gramaticais com tanta certeza. Não escrevo com a mesma coesão e fluidez com que fazia antigamente. Mas vou tentar. Vou deixar o blog aqui pra mim, por enquanto. Qualquer dia, deixo ele aberto novamente.


Mas, por enquanto, sem pressa. E com a única pretensão de reencontrar aquela pessoa que não se importava com os ônibus lotados, temporais ou engarrafamentos... 

domingo, 10 de abril de 2011

Cisne Negro

(O texto já está escrito há muito tempo, mas o tempo para postar anda curto...)


Ok, confesso que o filme "Cisne Negro" mexeu comigo e não foi pouco. Vi o filme há quase um mês e fiquei muito tempo pensando muito nele e, quanto mais eu penso, mais "descubro" mensagens. É um filme extremamente intenso, sensível e verdadeiro.

Na minha opinião, ele retrata com perfeição o universo do artista. Não só do bailarino clássico, mas de qualquer artista. Ator, bailarino, músico etc. Qualquer um que tenha que vestir personagens diferentes a cada show ou espetáculo. Qualquer um que tenha que lidar com sentimentos e características, às vezes, tão opostas aos seus valores pessoais. Não acho que a Nina, personagem interpretado magnificamente por Natalie Portman, seja louca, como ouvi muita gente falando. Todo mundo tem alucinações, em pequenas ou grandes proporções. Pode ser através de sonhos ou imaginação, mas tem... Principalmente quem lida com a arte tão de pertinho.
E também acho que todo mundo tem um lado obscuro, que não queremos aceitar ou admitir que temos. E muitas vezes não temos coragem de nos aproximar desse nosso lado. Lembro que, quando eu fazia terapia, a minha psicóloga fala
va assim: "ela te incomoda tanto porque você também é assim, só que não 'desenvolve' esse seu lado". E esse tipo de comentário que ela fazia me desconsertava e me irritava. Às vezes, eu falava de alguém que eu achava falso ou de gente que eu achava exibicionista demais... E eu não entendia quando ela falava que eu também era assim! Mas com o tempo, fui entendendo que não era isso. Que eu não era falsa ou exibicionista ou sei lá mais o que... Mas que, na verdade, todos nós temos os dois lados de tudo. Só que a gente "escolhe" qual deles nós vamos desenvolver, embora seja importante saber que temos os dois. Principalmente pra evitar o tipo de conflito que a Nina viveu no filme... Só que nada impede que o outro lado aflore sem o nosso controle.
E é aí que a escolha do ballet "O Lago dos Cisnes" foi perfeita. A história trata o tempo todo de dualidades: cisne branco e negro, perfeição e obsessão, pureza e perversidade, bondade e maldade. E obriga a Nina a mexer com um lado totalmente adormecido porque, durante toda a sua vida, ela só alimentou o lado "bom".
Todo mundo fala que todo artista beira à loucura. E é justamente por isso... porque ele tem que se aproximar muito de características que, às vezes, podem ser muito diferentes da personalidade dele. E muitos artistas não têm psicológico pra isso. Um bom exemplo é o caso do Heath Ledger que se matou logo após interpretar o Coringa do Batman. O mesmo personagem foi interpretado, anos antes, por Jack Nicholson que, quando soube da morte de Ledger, comentou que sempre soube que ele não tinha psicológico para interpretar o Coringa. Além disso, muitos amigos próximos do ator disseram que o personagem estava mexendo muito com ele.
Outro exemplo, é de uma excelente bailarina que eu conheço que dançava flamenco. Muitas pessoas já me disseram que ela era excelente dançando Flamenco, mas que os sentimentos e emoções levados à flor da pele mexiam muito com ela e ela passou a ter uma série de problemas por causa isso, tendo que abandonar o Flamenco e a se dedicar somente ao contemporâneo e ao ballet clássico.

Por isso tudo é que eu acho que esse filme retrata perfeitamente a realidade das pessoas que vivem da arte ou tão próximas a ela. Acho que estes exemplos são o mesmo caso da Nina do filme, só que em proporções e contextos diferentes.
A Lilly, interpretada por Mila Kunis, eu entendo como uma pessoa que ela gostaria de ser e não teve oportunidade devido ao controle da mãe e a disciplina imposta pelo ballet clássico. Talvez por isso, ela ficasse tão obcecada pela imagem da colega de dança.
A auto-sabotagem também é outro assunto muito bem abordado no filme. Na verdade, foi uma das primeiras coisas que eu notei. Os repetidos machucados no pé ou as feridas nas costas, são coisas que nós fazemos sempre, mas não notamos que é sabotagem. Que bailarino nunca cutucou o dedão do pé às vésperas de uma apresentação importante? Mesmo na intenção de curar a ferida, nós sabemos que são grandes as chances de machucar mais ainda. Sabemos que tem gente especializada para cuidar disso, mas mesmo assim nós fazemos isso e, na maioria das vezes, dançamos com os pés machucados. Isso é bem representado pelas costas que ela não nota que está ferindo ou pelas peles que ela puxa dos dedos dos pés e das mãos. O filme mistura o tempo todo a realidade da alucinação. E me arrisco a dizer que é a mesma mistura que fazemos na nossa vida.
Além de toda essa trama psicológica, a direção é excelente. As cenas são lindas, envolventes, dinâmicas e fortes. É impossível tirar os olhos da tela.
Com certeza ainda vou pensar em mais coisas depois que postar esse texto. Vou ver o filme novamente para tentar entender melhor. Vale muito a pena, principalmente se você também é artista.